Tem um padrão que vejo se repetir com analistas de FP&A: tratam IA como um "projeto especial", algo que precisa de um momento reservado, um treinamento, uma decisão de "agora vou usar IA nisso". Isso é o oposto do que funciona pra mim.
A virada, na minha rotina, foi parar de tratar a IA como projeto à parte e passar a tratá-la com a mesma naturalidade com que abro um Excel. Não precisa de anúncio, não precisa de cerimônia, só precisa estar ali, disponível, no fluxo de trabalho.
Isso é o Degrau 1 da jornada que descrevi na semana passada: produtividade. E, na prática, esse degrau se divide, pra mim, em 3 camadas de ferramenta, cada uma resolvendo um tipo diferente de tarefa.
A primeira é o Copilot no Excel e no PPT, é onde uso com mais frequência (no 365 há tanto GPT quanto Claude). Ele acelera desde a montagem de uma fórmula mais elaborada, a estruturação de uma modelagem ou a validação de uma lógica de cálculo, até a organização de uma análise e a construção de uma apresentação curta. O ganho não é só de tempo: é de qualidade, porque me permite testar rapidamente diferentes formas de olhar o mesmo número. Em vez de me apegar à primeira fórmula que funcionou, comparo 2 ou 3 abordagens em minutos.
A segunda é o Claude.ai com o time, para projetos mais complexos, os que exigem mais de uma sessão, mais de uma pessoa, mais de um contexto. Criamos skills para padronizar tarefas recorrentes e, ao final de cada reunião, registramos os "to-do's" de forma estruturada. Isso transforma a IA de uma ferramenta individual em um ativo do time: não é mais "eu uso IA", é "nosso time usa IA da mesma forma".
A terceira é o IDE (uso VS Code ou Antigravity), com governança em arquivos .md. Essa é a camada que menos analistas de Finanças conhecem, mas é a que mais me poupa dor de cabeça em projetos longos. Quando mantenho o contexto da análise, as premissas e o log das alterações documentados na própria pasta do projeto, nada se perde: qualquer pessoa que der continuidade entende o porquê de cada decisão, e não apenas o resultado final. É como construir uma memória viva do trabalho.
O que aprendi é que não existe "a ferramenta certa": existe a ferramenta do tamanho certo pra cada tarefa. Uma fórmula rápida no Excel não precisa de um projeto no Claude.ai com governança em .md. Mas um modelo que vai ser reaproveitado por 6 meses, sim.
O erro mais comum que vejo é o inverso do meu: tentar pular direto pro Degrau 3 (os agentes, a automação sofisticada) sem primeiro naturalizar esse uso diário. Sem essas 3 camadas rodando no automático, qualquer coisa mais avançada nasce em cima de areia.
💡 LIÇÃO APRENDIDA
A ferramenta certa não é a mais sofisticada, é a do tamanho certo pra tarefa que está na sua frente agora.