Há um perfil que, na minha experiência, faz toda a diferença quando IA entra em Finanças. Não é o mais técnico da sala, e não é quem sabe programar melhor. É quem consegue partir de uma dor real e persegui-la, com método, até ela virar valor mensurável.
Esse perfil é muito mais de negócio do que de TI. Não se trata de transformar o analista em programador. Ninguém precisa aprender a programar para assumir esse papel. Se trata de ter alguém que parte de uma dor concreta (um número que ninguém consegue explicar de forma consistente, um processo que sempre trava no mesmo ponto, uma reconciliação manual que consome dias todo mês) e a persegue, com método, até ela virar valor mensurável.
O ponto de partida nunca é a tecnologia. Isso é o que mais vejo dar errado: times que começam perguntando "que ferramenta de IA vamos usar" antes de perguntar "qual é exatamente a dor que estamos resolvendo, e como vamos saber que resolvemos". A tecnologia entra depois, como meio, nunca como ponto de partida.
A principal competência desse perfil também não é técnica no sentido de programação. É formular corretamente a questão, identificar relações de causa e efeito, e construir (com as áreas técnicas quando necessário, sem tentar fazer tudo sozinho) uma solução que funcione no ambiente real. Muita solução boa no papel morre porque foi desenhada longe do processo real, das exceções reais, das pessoas que vão operar aquilo todo dia.
Esse é o perfil que atravessa os três degraus que descrevi nas últimas semanas: quem naturalizou o uso de IA no dia a dia (degrau 1), quem já fez a crítica honesta e automatizou processos (degrau 2), tem a base para se tornar essa ponte entre a dor do negócio e o valor entregue (degrau 3). Ninguém chega a esse ponto pulando direto para o degrau 3 sem ter subido os dois primeiros.
Nas próximas semanas vou detalhar as capacidades que formam esse perfil e o método prático que uso para transformar uma dor em valor comprovado. Por hoje, fica a ideia central: no fim, esse perfil é menos sobre código e mais sobre resolver uma dor real e entregar resultado.
Uma nota sobre o nome. No mercado de tecnologia, esse papel tem um nome: Forward Deployed Engineer, ou FDE. O conceito nasceu na Palantir, que embarcava seus próprios engenheiros dentro do cliente, para, lado a lado, entender o problema real e construir a solução no contexto onde ele acontecia. Prefiro descrever esse perfil pela função do que pela sigla, porque em Finanças o que importa é o que a pessoa faz, não o crachá que ela carrega. Mas fica registrado o termo, para quem quiser pesquisar mais a fundo.
💡 LIÇÃO APRENDIDA
O ponto de partida nunca é a tecnologia. É sempre o problema.